Reconfiguração de identidades em narrativas femininas: uma comparação entre a dramaturgia Joanna Mina e o filme musical A cor púrpura
DOI:
https://doi.org/10.5935/1981-4755.20250018Abstract
O presente trabalho resulta da análise comparativa entre a dramaturgia Joanna Mina, de Luciany Aparecida (2022), e o filme musical A cor púrpura (2023), baseado no romance de Alice Walker (1982). As obras focalizam as narrativas de mulheres negras, suas dores e suas vivências. Incidem sobre temáticas como o patriarcado, o apagamento, a sexualidade e a ancestralidade. Nesse âmbito, importa compreender, a partir de uma perspectiva comparada e sob o viés dos Estudos Pós-Coloniais, de que forma essas temáticas auxiliam na reconstrução da identidade das protagonistas Joanna Minna e Celie, assim como das personagens Bárbara Poderosa e Sofia. A análise aponta para a quebra de discursos que emerge das obras e se lança contra o legado deixado pelo sistema colonial eurocêntrico, rejeitando as práticas de silenciamento e dando destaque e voz a mulheres vítimas da dupla subalternização. A fundamentação teórica recorre aos estudos de Bonnici (2009), Mignolo (2020), Schmidt (2022), Spivak (2010), Oliveira (2021), hooks (2018) e Ribeiro (2017). Por fim, a análise aponta para identidades femininas que rompem com o lugar de subjugação em que vivem. São sujeitos sociais femininos que estão em constante construção e reconstrução, diante das relações de poder implementadas principalmente por um sistema opressor, ora representado por homens brancos (Joanna Mina), ora por homens negros (A cor púrpura), reflexo de um sistema colonial/patriarcal.
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