Fim-do-Mundo como Regime
Uma leitura de O céu para bastardos, de Lilia Guerra
DOI:
https://doi.org/10.5935/1981-4755.20250024Abstract
Este artigo apresenta uma análise de O céu para bastardos (2023), um romance de Lilia Guerra. O movimento de leitura articula noções de raça, gênero, classe e necrobiopoder como dispositivos para compreender a favela Fim-do-Mundo, cenário onde se desenrola o enredo. Sá Narinha, a narradora, constrói um discurso contrário da ideologia dominante, de forma que a população favelada é caracterizada como digna de direitos que, contrariamente, são negados pelo estado. O ato interpretativo é embasado por Bento (2018), Mbembe (2018), Butler (2019; 2023), Boschetti (2020) e Carneiro (2023), estudiosos que auxiliam a interpretação de que em O céu para bastardos o corpo feminino periférico é o alvo privilegiado da confluência entre patriarcado e necropolítica, uma vez que a feminização da pobreza e a racialização da precariedade sustentam a administração desigual da vida e da morte nas periferias urbanas. A obra é uma forte denúncia das desigualdades sociais presentes no Brasil contemporâneo, ao mesmo tempo em que potencializa a voz de mulheres negras periféricas na busca por igualdade e justiça social.
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