Jane Austen no cinema de 1940: screwball comedy, tradução e manipulação

Autores

  • Ricelly Jáder Bezerra da Silva Universidade Estadual do Ceará - UECE

Palavras-chave:

Jane Austen. Filme. Tradução. Política.

Resumo


Este artigo objetiva analisar a adaptação de Pride and Prejudice, cuja primeira publicação se deu em 1813, da escritora inglesa Jane Austen, para o filme homônimo, sob direção de Robert Z. Leonard, em exibido em 1940. Em sua obra, autora apresenta uma história de amor, mas com uma tessitura narrativa complexa que revela e provoca o questionamento de problemas sociopolíticos da Inglaterra Edwardiana. Tais questionamentos dialogam com assuntos contemporâneas, como valores associados à classe social e ao papel da mulher em sociedade. Entretanto, consideramos que ao ser adaptada para o cinema hollywoodiano dos anos de 1940, a narrativa fílmica reescreve e projeta outra imagem de Austen e, consequentemente, da Inglaterra. Assim, apagando a crítica da autora e reforçando um teor cômico e romântico. Desse modo, perguntamo-nos quais as estratégias utilizadas na adaptação e quais as consequências disso para a obra de Austen. Como base teórica principal, recorremos aos estudos de André Lefereve (2007) que concebe a tradução como uma reescritura e aos estudos de Patrick Cattrysse (1992), que entende a adaptação fílmica como um tipo de tradução. Além disso, também recorremos aos estudos de Wes D. Gehring (1983) a respeito do gênero fílmico screwball comedy. Os resultados confirmam nossa hipótese de que a narrativa fílmica reforça um teor romântico e cômico e, também, revelaram que o filme teve uma função politica em seu contexto de produção e de exibição.

Biografia do Autor

Ricelly Jáder Bezerra da Silva, Universidade Estadual do Ceará - UECE

Mestrado Acadêmico em Letras, com área de concentração em Literatura Comparada, pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará - UFC (2014). Graduação em Letras Língua Inglesa e suas Literaturas pela Universidade Estadual do Ceará - UECE (2011). Atualmente, é professor substituto do curso de Letras Língua Inglesa da Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central FECLESC/UECE. Atua nas áreas de ensino de Língua Inglesa, ensino de Literatura Inglesa e estudos de Tradução (com ênfase nas relações entre literatura e cinema).

Referências

AUSTEN, Jane. Pride and Prejudice. London: Wordsworth Editions, 2007.

BENEDETTI, Ivone; SOBRAL, Adail (org.) Conversas com tradutores: balanços e perspectivas. São Paulo: Parábola Editorial, 2003.

BERGSON, Henri. O riso: ensaio sobre o significado do cômico. Traduzido da 375ª edição francesa. Rio de Janeiro, RJ: Editora Guanabara S.A., 1987.

CARTMELL, Deborah. Screen Adapations Jane Austen’s Pride and Prejudice: the relationship between text and film. London: metuem/drama, 2010.

CATTRYSSE, Patrick. Film (adaptation) as Translation: Some Methodological Proposals. In: Target – International Journal of Translations Studies. Amsterdam: John Benjamins Publishing Company, 1995. p. 53-70.

GHERING, Wes D. Screwball Comedy: defining a film genre. Muncie, Indiana: Ball State University, 1983.

GOMES, Paulo Emílio Salles. A personagem cinematográfica. In: CANDIDO, Antonio [et al]. A Personagem de Ficção. São Paulo: Perspectiva, 2011. p. 103-119.

JONES, Darryl. Critical issues: Jane Austen. New York: Palgrave Macmillan, 2004.

McFARLANE, Brian. Reading Film and Literature. In: CARTMELL, Deborah; WHELEHAN, Imelda. The Cambridge Companion to Literature on Screen. Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2010. p. 15-28.

PARRILL, Sue. Jane Austen on Film and Television: a critical study of the adaptations. North Carolina: McFarland and Company, Inc., Publishers, 2002.

SILVA, C. A. V. A tradução cinematográfica de A Portrait of the Artist as a Young Man. Nonada Letras em Revista – Estudos da tradução, Porto Alegre, Vol. 1, nº 16, edição 812, p. 81 – 92, jan. –jun., 2011.

______. Mrs. Dalloway e a Reescritura de Virginia Woolf na Literatura e no Cinema. 2007. Tese (Doutorado em Letras e Lingüística) – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2007. p. 56 – 92.

TROOST, Linda V. The Nineteenth-century novel on film: Jane Austen. In: CARTMELL, Deborah; WHELEHAN, Imelda. The Cambridge Companion to Literature on Screen. Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2010. p. 75-89.

TURAN, Kenneth. Pride and Prejudice: an informal history of the Garson-Olivier Motion Picture. In: http://www.jasna.org/persuasions/printed/number11/turan.html Acessado em: 01/10/2013.

CAPRA, Frank. Aconteceu Naquela Noite [It Happened One Night]. Com Clark Gable, Claudette Colbert, Walter Connoly. USA, 1934. 105 min.

FLEMING, Victor; CUKOR, George. E o Vento Levou [Gone with the Wind]. Com Clarke Gable, Vivian Leigh, Thomas Mitchell. USA, 1940. 238 min.

LEONARD, R. Z. Orgulho e Preconceito [Pride and Prejudice]. Com Greer Garson e Laurence Olivier. EUA, 1940. 118min.

Downloads

Publicado

26-09-2017

Como Citar

SILVA, R. J. B. da. Jane Austen no cinema de 1940: screwball comedy, tradução e manipulação. Travessias, Cascavel, v. 11, n. 2, p. 300–314, 2017. Disponível em: https://saber.unioeste.br/index.php/travessias/article/view/17465. Acesso em: 23 maio. 2022.

Edição

Seção

DOSSIÊ TEMÁTICO: CINEMA, EDUCAÇÃO, HISTÓRIA E OUTRAS TRAVESSIAS