Da formação básica à prática docente: qual a percepção do professor sobre a superdotação?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.48075/rt.v15i2.26215

Palavras-chave:

Altas Habilidades/Superdotação, formação docente e prática docente.

Resumo


O exercício da profissão docente na área das Altas Habilidades/Superdotação é desafiador e requer uma formação preocupada com essa temática. Nesse contexto, esta pesquisa investiga a percepção das Altas Habilidades/Superdotação, na área de ciências exatas e da terra, junto a dois grupos de atores: licenciandos e professores em exercício. O trabalho faz um comparativo entre os grupos pesquisados com a finalidade de verificar se a prática docente e as formações subsequentes modificam a percepção do professor no que diz respeito às AH/S. Observam-se, ainda, aspectos dos cursos de formação docente no Brasil, refletidos no conhecimento e competências demonstrados pelo professor e suas concepções do assunto. Participaram da pesquisa 56 participantes da área de ciências exatas e da terra. A pesquisa de opinião pública com participantes não identificados se preocupou em obter uma amostra diversificada e os dados foram tratados qualitativa e quantitativamente. Gauthier, Tardif, Perrenoud, Renzulli, Fleith, Reis, Amaral, Bahiense, Rossetti, Delou, Virgolim e Pérez foram alguns dos autores que embasaram as discussões desse trabalho. Diante das respostas obtidas pôde-se apurar que em ambos os grupos pesquisados o conhecimento das AH/S se mostrou superficial e que a prática docente, bem como capacitações posteriores não têm trazido a percepção adequada da superdotação.

Biografia do Autor

Kelling Cabral Souto, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro.

Possui Doutorado e Mestrado em Engenharia Nuclear pelo Programa de Engenharia Nuclear da COPPE/UFRJ (2005 e 2001), ambos na área de Engenharia de Fatores Humanos (Inteligência Artificial) tendo trabalhado nas linhas de pesquisa: Arquitetura cognitiva, sistemas especialistas e lógica fuzzy. Possui graduação em Matemática (Licenciatura e Bacharelado) pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1999) e graduação em Ciência da Computação pelo Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos (1999). Atualmente é professora dos cursos de Licenciaturas em Matemática e Física do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) no Campus Nilópolis-RJ, onde ministra as disciplinas pré-cálculo, cálculo numérico e matemática financeira. Atuou até fevereiro/2018 como coordenadora da área de matemática do PIBID/IFRJ. Desde agosto/2018 é docente orientadora do núcleo de matemática do Programa Residência Padagógica/IFRJ, realizando trabalhos relacionados a ensino e formação de professores. Atualmente, realiza Pós-Doutorado no Programa de Pós-Graduação, Ciências, Tecnologias e Inclusão (PGCTIn) do Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Helena Carla Castro, Universidade Federal Fluminense

Pós-douta em Farmacologia pela UFRJ; Doutora em Biologia e Modelagem Molecular pela UFRJ e Universidade da Califórnia - Estados Unidos (2000); Pesquisadora e coordenadora do Laboratório de Antibióticos, Bioquímica, Ensino e Modelagem molecular (LABiEMol) na UFF.

Cristina Maria Carvalho Delou, Universidade Federal Fluminense

Psicóloga, Licenciada em Psicologia pela PUC-RJ (1981), Especialista e Mestre em Educação na área de concentração Educação de Superdotados pela UERJ (1987), e Doutora em Educação, pelo PPG em Educação: História, Política, Sociedade, pela PUC-SP (2001); Professora Aposentada da Faculdade de Educação, da Universidade Federal Fluminense (UFF); Bolsista Produtividade em Pesquisa Nível 2 do CNPq; Líder do Grupo de Pesquisa Talento e Capacidade Humana na Sociedade e na Educação, vinculado ao CNPq; Membro permanente no Curso de Pós-Graduação em Diversidade e Inclusão e no PPG Ciências, Tecnologias e Inclusão do Instituto de Biologia da UFF. Coordenadora do Programa de Atendimento a Alunos com Altas Habilidades/Superdotação (PAAAH/SD-UFF). Membro da Comissão Técnica do Conselho Brasileiro para Superdotação (ConBraSD). Recebeu o Prêmio Jabuti 2015, na categoria Educação e Pedagogia. Recebeu a Medalha do Mérito Carioca por ter sido eleita Personalidade Educacional 2019 pelo Conselho Municipal de Educação da cidade do Rio de Janeiro; Coordenadora-Geral de Políticas, Regulação e Formação de Profissionais de Educação Especial, na Diretoria de Educação Especial, da Secretaria de Modalidades Especializadas do MEC.

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Publicado

31-08-2021

Como Citar

SOUTO, K. C.; CASTRO, H. C.; DELOU, C. M. C. Da formação básica à prática docente: qual a percepção do professor sobre a superdotação?. Travessias, Cascavel, v. 15, n. 2, p. 369–388, 2021. DOI: 10.48075/rt.v15i2.26215. Disponível em: https://saber.unioeste.br/index.php/travessias/article/view/26215. Acesso em: 6 dez. 2021.

Edição

Seção

EDUCAÇÃO