LUDICIDADE E VIOLÊNCIA EM NEGRINHA

Thielle Rita Vera de Moura Alcalde, Cleomar Ferreira Gomes

Resumo

Este artigo adota o propósito de fazer uma reflexão sobre o talento que tem os gêneros literários em tratar de temas como o lúdico e a demência em seu enredo, e oferece aos leitores, pesquisadores e militantes da educação escolar, sobremaneira aos da educação básica uma ferramenta pedagógica no campo da ludicidade e da agressão, mensagens de foro educativas. À inspiração do conto Negrinha, de Monteiro Lobato, este artigo tem por tarefa metodológica analisar as rubricas conceituais de Homo demens e do Homo ludens quando narra as agressões, violências e momentos de alegria vividos pela personagem ― menina de sete anos, negra e órfã que é privada de ser criança. Balizado em teóricos do Homo demens recorremos a Georges Balandier, Roger Dadoun e Nilo Odalia; para as entradas do Homo ludens, convidamos Gilles Brougère, Johan Huizinga e Walter Benjamin. Analisando os momentos de alegria e de sofrimento vividos pela personagem percebemos a importância do lúdico para o ser humano e ainda pudemos registrar uma proposta educativa em tratar a violência por meio da arte. Como mensagens educativas escoadas dessa experiência, permanecem as lições que esses gêneros (fábulas, contos, folclores, lendas, folhetins...) oferecem ao transitarem, seja pela via trágica do Homo demens, seja pelo encontro oportuno da presença dos brinquedos e seu Homo ludens, que ajudam as crianças a se esconderem dos “horrores da cultura adulta” como acentua Benjamin. Como constatações verificamos: 1) Primeiro, que é preciso perceber a importância da ludicidade para a vida humana: jogar, brincar, se divertir é essencial para o ser humano, sobremaneira quando por meio dessa linguagem a criança se desenvolve, aprende, interage, se realiza e adquire uma consciência. 2) Sendo a agressão uma característica arquetípica do homem, somente por meio da educação é que podemos tentar eliminá-la, mitigá-la ou acalmá-la, para não virar violência.

Palavras-chave

Alegria. Violência. Educação.

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