Representações simbólicas da cidade de Porto Alegre no romance Camilo Mortágua, de Josué Guimarães
DOI:
https://doi.org/10.48075/b741ze81Abstract
Este artigo analisa as representações simbólicas da cidade de Porto Alegre no romance Camilo Mortágua (1980), de Josué Guimarães, observando como o espaço urbano é narrado enquanto construção histórica, social e afetiva. A partir de uma perspectiva teórico-interpretativa que articula estudos sobre cidade, imaginário urbano e literatura, investiga-se de que modo a narrativa transforma a capital gaúcha em um espaço simultaneamente físico e simbólico, permeado por tensões sociais, memórias e transformações urbanísticas. Utilizam-se como fundamentação teórica os autores Rama (1984), Pesavento (2002) e Rolnik (2024). O estudo examina as representações de bairros como Centro, Cidade Baixa e Azenha; a simbolização da Rua da Praia como núcleo modernizador; a presença do transporte coletivo como marca da experiência urbana e as tensões entre segregação espacial e desigualdade social. Identifica-se que Porto Alegre aparece como uma cidade marcada pela modernização desigual, pela permanência de heranças escravocratas e pela coexistência conflituosa de diversas camadas sociais e históricas. A narrativa revela a cidade como palimpsesto em constante reconstrução, no qual memória individual e memória urbana se entrelaçam. Conclui-se que Camilo Mortágua oferece um panorama literário complexo da formação do imaginário urbano porto-alegrense, permitindo compreender a construção simbólica da cidade ao longo da primeira metade do século XX.
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Copyright (c) 2026 Anderson Hakenhoar Matos, Neuza Vitoria da Cruz Rodrigues

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