Práticas de liberdade: o potencial emancipador e anti-tecnicista do ensino a contrapelo da história e da música
DOI:
https://doi.org/10.48075/rtm.v15i26.26203Palavras-chave:
Anti-colonialismo. Educação a contrapelo. Interdisciplinaridade.Resumo
O presente artigo com foco particular nas disciplinas de História e Música (comumente inserida como uma das linguagens componentes da aula de Artes). busca trazer reflexões sobre a permanência de traços das relações e hierarquias coloniais nas práticas e nos saberes das instituições de ensino e da estrutura curricular das escolas de ensino fundamental e médio, estas disfarçadas e ocultadas pela pretensa “racionalidade” da modernidade, narrativa ainda sustentada pela visão do progresso inevitável como uma “lei da História”, ao mesmo tempo em que confronta as ideias preconcebidas de “música boa” e “música ruim” na educação musical. Essa hierarquização das formas musicais, elaborada pelas classes dominantes, resulta em um preconceito que muitas vezes leva a um afastamento do aluno da aprendizagem de certos instrumentos e estilos. Partindo de uma metodologia que encara a história da modernidade europeia a contrapelo e com apoio de relatos de experiência no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) dos autores, propõe-se o desafio de uma "educação a contrapelo", ancorada em partes na obra freireana, visando a construção de um currículo do ensino básico que seja crítico aos resquícios do colonialismo em nossa sociedade (colonialidade do poder e do saber) e de um currículo do ensino superior que forneça ao discente, professor em formação, as ferramentas pedagógicas necessárias para o desafio de valorizar o lado artístico e histórico da docência.
Referências
BOURDIEU, Pierre. Questões de sociologia. Tradução de Fábio Creder. Petrópolis: Vozes, 2019.
CERASOLI, Josianne Francia. Instabilidades educacionais como legado do PIBID. In: PRADO, Guilherme do Val Toledo; AYOUB, Eliana; PRODÓCIMO, Elaine. (Org.) Narrando cotidianos e histórias. Coleção Formação Docente em Diálogo - Edição Especial PIBID-UNICAMP. Campinas: Edições Leitura Crítica, 2017.
CESAR, Patricia Kawaguchi. Três anos e meio construindo o Pibid Música. In: PRADO, Guilherme do Val Toledo; AYOUB, Eliana; PRODÓCIMO, Elaine. (Org.) Narrando cotidianos e histórias. Coleção Formação Docente em Diálogo - Edição Especial PIBID-UNICAMP. Campinas: Edições Leitura Crítica, 2017.
CESAR, Patricia Kawaguchi; FELICE, Geovana. Possibilidades para a música na escola pública: como o Pibid e a residência pedagógica facilitam ou não essa inserção. In: XI Encontro Regional Sudeste da Associação Brasileira de Educação Musical, v. 3, 2018, São Paulo. Anais… Londrina, UFPR, 2018.
DIAS, Madelaine. Musicalidade na escola. In: PRADO, Guilherme do Val Toledo; AYOUB, Eliana; PRODÓCIMO, Elaine. (Org.) Narrando cotidianos e histórias. Coleção Formação Docente em Diálogo - Edição Especial PIBID-UNICAMP. Campinas: Edições Leitura Crítica, 2017.
FANON, Frantz. Os condenados da terra. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1968.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 17 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
HEYWOOD, Linda. Nzinga de Angola: A rainha guerreira da África. 2018. São Paulo: Casa das Letras.
JÚNIOR, João Fortunato Soares de Quadros; COSTA, Fernanda Silva da. Pibid e a formação inicial de professores de música no Brasil: uma análise exploratória. Revista da ABEM. Londrina, v. 23, n. 35, p. 35-48, jul.-dez. 2015.
LANDEM, Edgar. Ciências sociais: saberes coloniais e eurocêntricos. In: LANDEM, Edgar (Org). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. p. 08-23. Buenos Aires: CLACSO, 2005.
LOWY, Michael. Walter Benjamin: Aviso de incêndio. Uma leitura das teses “Sobre o conceito de história”. São Paulo: Boitempo, 2005.
MENDES, Adriana; CESAR, Patricia Kawaguchi. O subprojeto Música do PIBID-Unicamp. In: PRADO, Guilherme do Val Toledo; AYOUB, Eliana; PRODÓCIMO, Elaine. (Org.) Ampliando horizontes na formação de professores. Coleção Formação Docente em Diálogo v. 3. Campinas: Edições Leitura Crítica, 2014.
PENNA, Maura. Música(s) e seu Ensino. Porto Alegre: Sulina, 2008.
PEREIRA, Elisabete Monteiro de Aguiar. A construção do conhecimento na modernidade e na pós-modernidade: implicações para a universidade. Revista Ensino Superior. Campinas, n. 14, jul.-set. 2014. Disponível em: <https://www.revistaensinosuperior.gr.unicamp.br/artigos/a-construcao-do-conhecimento-na-modernidade-e-na-pos-modernidade-implicacoes-para-a-universidade>. Acesso em: 28 out. 2020.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, Eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgar (Org.) A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 107-130.
SILVA, Cintia Ribeiro Veloso da. Alienação, arte e educação diante do atual estágio do capitalismo. In: SCHLESENER, Anita Helena; MASSON, Gisele; SUBTIL, Maria José Dozza. Marxismo(s) e educação. Ponta Grossa: Editora UEPG, 2016. p. 245-263.
SNYDERS, Georges. A escola pode ensinar as alegrias da música? 5 ed. Tradução de Maria Felisminda de Rezende e Fuzari. São Paulo: Cortez, 2008.
SUBTIL, Maria José Dozza. Marxismo, arte e educação: as potencialidades de humanização pela educação artística. In: SCHLESENER, Anita Helena; MASSON, Gisele; SUBTIL, Maria José Dozza. Marxismo(s) e educação. Ponta Grossa: Editora UEPG, 2016. p. 227-244.
VIEIRA, Djenane. O RAP como recurso de musicalização e reflexão sobre educação étnico-racial na escola regular. Revista Fladem Brasil. v. 1, p. 32-48, jan. 2020
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2021 Temas & Matizes

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
Aviso de Direito Autoral Creative Commons
Política para Periódicos de Acesso Livre
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
1. Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.2. Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
3. Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional, o que permite compartilhar, copiar, distribuir, exibir, reproduzir, a totalidade ou partes desde que não tenha objetivo comercial e sejam citados os autores e a fonte.