The Struggle Against Necropolitical Rationality in the Amazon: Indigenous Peoples in Movement and Ancestral Territories
DOI:
https://doi.org/10.48075/56qapy59Abstract
Abstract
The Amazon has historically been approached as a frontier to be conquered and exploited. The region has also been regarded as a “frontier of the world,” a space to be discovered or, from a colonial environmentalist perspective, a reserve of “wilderness” to be preserved untouched. From colonial times to the present, it has been configured as a stock-space of natural resources at the service of an exogenous logic of appropriation and domination, alien to its peoples. This article analyzes the ecopolitical and anticapitalist struggle of Indigenous peoples in the Amazon, considering how they rise up against a necropolitical rationality that stands in antagonism to diverse Indigenous matrices of rationality. To this end, I will relate Achille Mbembe’s concept of necropolitics with what I have previously proposed as Amazonism: the imaginative geography produced by an external enunciator who conceives the region as homogeneous, exotic, and “distant” from this locus of enunciation. Such a perspective results in a spatial logic that transforms portions of nature into commodifiable assets; Amazonism, therefore, sustains necropolitical rationality in the Amazon. I present an overview of the struggle of Indigenous peoples in movement (Zibechi, 2024) in Brazil, outlining their forms of organization and the main threats to their territories. I focus on the example of the Borari people of Alter do Chão, in the municipality of Santarém (Pará), who resist land grabbing and real estate speculation, and who have recently undertaken the self-demarcation of their territory as an expression of struggle grounded in their Indigenous cosmology, which implies a cosmopolitics against necropolitics. In conclusion, I emphasize that the insurgent spatial practices of Indigenous peoples in movement in the Amazon reflect resistance to the geographical expansion of capital and point toward a proposition of existence in the face of planetary necropolitics.
Keywords: Amazon; Indigenous Peoples; Necropolitics; Cosmopolitics; Modern-Colonial World.
A luta contra a racionalidade necropolítica na Amazônia: Povos indígenas em movimento e territórios ancestrais
Resumo
A Amazônia é historicamente abordada enquanto uma fronteira a ser desbravada e explorada. A região é tida também como uma “fronteira do mundo”, um espaço a ser descoberto ou, numa perspectiva ambientalista colonial, uma reserva de “natureza selvagem” a ser preservada intocada. Desde os tempos coloniais até os atuais foi configurada como espaço-estoque de recursos naturais a serviço de uma lógica de apropriação e dominação exógena, alienígena a seus povos. Este artigo irá analisar a luta ecopolítica e anticapitalista dos povos indígenas da Amazônia considerando que eles se insurgem contra uma racionalidade necropolítica que é antagônica às diversas matrizes de racionalidade originárias. Para isso, relacionarei o conceito de necropolítica na obra de Achille Mbembe com o que propus chamar em trabalho anterior de Amazonismo, a geografia imaginativa criada por um enunciador externo à região que a quer homogênea, exótica e “distante” desse lócus de enunciação. Isso repercute em uma lógica espacial que transforma porções da natureza em ativos mercantilizáveis; o Amazonismo, assim, sustenta a racionalidade necropolítica na Amazônia. Ofereço um panorama da luta dos povos indígenas em movimento (Zibechi, 2024) no Brasil apresentando sua organização e as principais ameaças a seus territórios. Darei o exemplo do povo Borari de Alter do Chão, no município de Santarém (Pará), que se insurge contra a grilagem de terras e a especulação imobiliária, e recentemente fez a autodemarcação de seu território como expressão da luta baseada em sua cosmologia originária, o que implica em uma cosmopolítica contra a necropolítica. Ao final destacarei que as práticas espaciais insurgentes dos povos indígenas em movimento na Amazônia refletem a resistência à expansão geográfica do capital e apontam para uma proposição de existência frente à necropolítica planetária.
Palavras-chave: Amazônia; Povos Indígenas; Necropolítica; Cosmopolítica; Mundo moderno-colonial.
La lucha contra la racionalidad necropolítica en la Amazonía: pueblos indígenas en movimiento y territorios ancestrales
Resumen
La Amazonía ha sido históricamente concebida como una frontera a ser desbrozada y explotada. La región ha sido igualmente representada como una “frontera del mundo”, un espacio por descubrir o, desde una perspectiva ambientalista colonial, como una reserva de “naturaleza salvaje” que debe preservarse intacta. Desde el período colonial se ha configurado como un espacio-depósito de recursos naturales al servicio de una lógica de apropiación y dominación exógena, ajena a los pueblos que la habitan. El presente artículo se propone analizar la lucha ecopolítica y anticapitalista de los pueblos indígenas de la Amazonía y que estos se insurgen contra una racionalidad necropolítica antagónica a las diversas matrices de racionalidad originarias. Relaciono el concepto de necropolítica, de Achille Mbembe, y lo que he denominado Amazonismo: la geografía imaginativa construida por un enunciador externo a la región, que la representa como homogénea, exótica y “distante” de dicho locus de enunciación. Esa representación se traduce en una lógica espacial que convierte porciones de la naturaleza en activos mercantilizables; el Amazonismo, en este sentido, sustenta la racionalidad necropolítica en la Amazonía. Ofrezco un panorama de los pueblos indígenas en movimiento (Zibechi, 2024) en Brasil, presentando su organización y las principales amenazas que se ciernen sobre sus territorios. Abordo el caso del pueblo Borari de Alter do Chão, en el municipio de Santarém (Pará), que resiste a la usurpación de tierras y a la especulación inmobiliaria, y que recientemente llevó a cabo la autodemarcación de su territorio como expresión de una lucha enraizada en su cosmología originaria, lo que implica una cosmopolítica frente a la necropolítica. Se destacará que las prácticas espaciales insurgentes de los pueblos indígenas en movimiento en la Amazonía reflejan la resistencia a la expansión geográfica del capital y enuncian, al mismo tiempo, una proposición de existencia frente a la necropolítica planetaria.
Palabras-clave: Amazonia; Pueblos Indígenas; Necropolítica; Cosmopolítica; Mundo moderno-colonial.
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